segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Em comício, PT inicia trabalho para reverter voto ‘equivocado’ em Russomanno


Em comício, PT inicia trabalho para reverter voto ‘equivocado’ em RussomannoO comício realizado hoje (22) pelo PT em Brasilândia, na zona norte de São Paulo, marcou o início da estratégia de trazer para Fernando Haddad o eleitor ligado ao partido e que neste momento manifesta intenção de votar em Celso Russomanno (PRB). Durante todo o evento, os líderes petistas trabalharam sobre a ideia de que o ex-ministro da Educação é o único representante dos governos Lula e Dilma nas eleições municipais.
“Tem muita gente equivocada. Você já imaginou acordar no dia depois da eleição e dar com quem pode dar? O que a gente vai fazer da vida esses quatro anos?”, manifestou a ministra da Cultura e ex-prefeita Marta Suplicy. “Tem um candidato que eles [os eleitores] gostam, mas não sabem muita coisa. Acham que sabem porque ele apareceu na televisão.”
Conforme apurou a RBA, pesquisas qualitativas realizadas pelo PT mostraram que o eleitor identificado com o partido e menos politizado entende que Russomanno também é representante do projeto de governo nacional liderado atualmente por Dilma Rousseff. Residiria aí uma das grandes dificuldades em garantir o crescimento de Haddad nas pesquisas de intenções de voto. 
Com isso, o petista, que durante debate na segunda-feira (17) havia centrado fogo em José Serra (PSDB), principal oponente para chegar ao segundo turno, passou agora a destacar também suas diferenças em relação ao candidato do PRB. “Temos um fenômeno que temos de saber lidar, que é o Celso Russomanno. Pergunto a vocês se sabem quantos CEUs o Russomanno prometeu fazer. Sabem quantos quilômetros de ônibus o Russomanno prometeu fazer? Quantas escolas ou quantos hospitais? Vocês não sabem, eu não sei. E tem uma coisa que é pior: ele não sabe. Ele não sabe o que ele pode prometer”, disse. “Ele vai empurrando com a barriga. São Paulo não é uma cidade para amador tocar.”
Na mesma linha foi o discurso de Marta Suplicy, que ressaltou o fato de Russomanno pertencer a um partido pequeno e de sua trajetória política ser relativamente desconhecida do eleitorado. No principal ponto do discurso, a ministra lembrou que ela, Dilma Rousseff e Luiz Inácio Lula da Silva têm Haddad como único candidato na capital. “Os três estão falando: vota nele. Vota nele porque é o melhor. Vota nele porque é o bom”, destacou. “O outro ninguém sabe. Não dá para governar sozinho. Ninguém sabe a história, ninguém sabe a trajetória. Não tem programa. E aí peço para que vocês confiem na minha palavra.”

Propostas

A falta de propostas efetivas do candidato do PRB é um dos motes da campanha petista nas duas semanas restantes até o primeiro turno. A campanha eleitoral na TV começou a exibir hoje um vídeo dizendo que não se pode votar em alguém simplesmente porque é “amigão”. Na inserção, um homem diz no bar que votará no amigo. “Mas eu não tenho nenhuma proposta!”, se espanta o companheiro de mesa. “Na hora você inventa uma e tudo bem!”, responde o outro, acrescentando que para ser prefeito basta dizer que entende de “eletrodoméstico, troca de mercadoria, garantia”. 
Conhecido pela quase totalidade do público, Russomanno alcançou popularidade graças a programas de televisão nos quais aborda os direitos do consumidor. Haddad aproveitou o comício em Brasilândia para destacar esta questão e rebater o que acredita ser um desconhecimento do adversário sobre a viabilidade da implementação do Bilhete Único Mensal. Segundo o petista, o cartão no valor de R$ 140 para permitir viagens ilimitadas consumiria 1% do orçamento municipal. Em sentido contrário, o político do PRB afirma que é necessário cobrar um valor maior de quem faz um trajeto mais longo. 
“Não é por mal: é por desconhecer a administração pública”, lamentou Haddad, acrescentando que a proposta acabaria por punir os mais pobres, que fazem deslocamentos longos. “Cidadão não é só consumidor. Você para o SUS? Não. Você para a educação pública? Não. Não é uma relação de compra. É uma relação de direito.”
Rede Brasil Atual

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