terça-feira, 16 de outubro de 2012

Venda da Amil pode significar a 'americanização' da saúde no Brasil

Venda da Amil pode significar a 'americanização' da saúde no Brasil
A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) deverá anunciar nos próximos 15 dias se aprova a venda da Amil, maior operadora de planos de saúde no Brasil, para a UnitedHealth Group, gigante do setor nos Estados Unidos. A transação, que já vinha sendo estudada há alguns meses, foi anunciada nesta terça-feira (9). O negócio envolve a venda de 90% da Amil para a United pela quantia de US$ 4,3 bilhões. A legislação brasileira proíbe a participação de capital estrangeiro em hospitais brasileiros, mas não impede em operadoras de planos de saúde. Representantes de usuários de planos de saúde já manifestaram temores. Toda vez que há fusões ou vendas eles são afetados principalmente com mudanças na rede credenciada. 
A preocupação é maior agora, quando se trata do controle do sistema de saúde brasileiro por uma empresa estrangeira. Se o negócio for aprovado, os 22 hospitais próprios da Amil também serão administrados pela empresa estrangeira. Conforme o grupo americano já anunciou, seu interesse está no crescente mercado brasileiro. A transação é interessante também para os controladores brasileiros da Amil, que ficam com os 4,3 bilhões de dólares, com os 10% das ações e o comando as operações. Já o sistema de saúde brasileiro não tem o que comemorar. “A venda sinaliza um caminho que pode ser sem volta. Não é só a possibilidade de outras empresas estrangeiras da saúde virem para cá. É a lógica do crescimento do setor privado que preocupa”, analisa Mario Scheffer, presidente do Grupo Pela Vidda-SP, conselheiro do Centro Brasileiro de Estudos de Saúde (Cebes) e membro do conselho diretor do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec). Na entrevista a seguir, ele analisa as implicações da venda da Amil para o sistema de saúde do país.
Como você analisa a venda da Amil?
A entrada agressiva no mercado brasileiro da empresa norte-americana, que é uma das maiores operadores de planos de saúde do mundo, tem o objetivo explícito de obter aqui os lucros que não obtém mais no mercado americano. Isso mostra que a gente pode caminhar para a ‘americanização’ da saúde no Brasil, uma amostra do que virou esse mercado nos Estados Unidos. É o que esse perfil de capital estrangeiro quer implementar no Brasil ao comprar 90% da Amil. Ou seja, amostra do principal fracasso dos Estados Unidos ao não conseguir universalizar o atendimento público com equidade. Tanto a Amil como a United tem destacado a grande oportunidade de negócio para esse capital estrangeiro. É nesse momento de franco crescimento do mercado brasileiro que o negócio é feto. O mesmo crescimento econômico que possibilitou novos empregos, renda e consumo também alimentou a demanda por planos de saúde privados. 
O interesse dos americanos está nessa classe média emergente?
Pelas declarações que estão sendo feitas, esse capital estrangeiro está interessado justamente no mercado de planos populares, baratos. O problema é que a franca expansão desse mercado ocorre de maneira totalmente desordenada, até artificial eu diria. Hoje, 80% dos planos de saúde privados no Brasil são ofertados pelos empregadores. São os planos coletivos, que se tornaram prioridade de sindicatos em sua pauta de reivindicações e o desejo de grande parte das famílias, dos indivíduos que estão ascendendo no mercado de consumo. Isso acontece por desilusão, pelo descrédito no sistema público, no Sistema Único de Saúde (SUS), que em parte há uma certa razão. Com o subfinanciamento público do sistema não é possível oferecer um atendimento de melhor qualidade. Mas por outro lado as pessoas desconhecem a importância e o papel imenso que o SUS tem hoje. Com isso há o desejo de consumir planos privados. E o mercado que está crescendo mais é o dos planos populares, mais baratos, que oferecem uma cobertura medíocre. O problema é que tudo isso acontece com a conivência da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), órgão constituído para regular o setor e que não regula. 
Também há filas na saúde privada...
Parte desse apagão na saúde suplementar, com a rede lotada, filas de espera semelhantes às do serviço público, dificuldade para marcar consulta, demora na internação eletiva. Isso ocorre em grande parte por esse crescimento desordenado. A agência reguladora foi capturada pelo mercado que ela deveria regular. No momento a agência estaria renovando seus quadros, que durante muito tempo tiveram em sua maioria representantes do setor. O atual presidente [Maurício Ceschin], que foi presidente do Grupo Qualicorp, uma grande corretora brasileira que vende planos de todas as operadoras. Com uma regulação frouxa, incompetente, tem-se um crescimento desordenado. 
A situação tende a piorar?
A coisa tende a piorar com a ampliação que pode vir com essa aquisição. E isso tem de ser debatido. Que sistema de saúde nós queremos? Essa cobertura privada centrada em poucas mãos, que nunca vai ser uniforme e continuada. Muitos se esquecem de que há diferenças muito grandes entre os vários produtos comercializados. Muitos acham os planos de saúde são produtos homogêneos. E não é. Cobrem e dão atendimento conforme a capacidade de pagamento das pessoas. Quanto mais barato, mais popular, pior. Depois, se a pessoa sai do emprego, fica descoberta porque a maioria dos planos são coletivos. E tem ainda a chamada exclusão pecuniária, que é a expulsão dos idosos dos planos individuais. Entre os coletivos há também uma epidemia que chamo de falsos coletivos. São planos para duas, três, quatro pessoas que podem ser feitos por microempresários. Basta o CNPJ [Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica]. Em geral o índice de reajuste desse plano foge da regulação. A operadora tem a prerrogativa de aumentar por sinistralidade, ou seja, quando os beneficiários passam a usar muito a rede credenciada. Fica tão caro que a pessoa tem de romper o contrato porque não vai mais conseguir pagar. No começo, chegam a custar 40% menos e depois chegam a ter mais de 100% de aumento. Trata-se de um setor em expansão que não garante o que se espera de um plano de saúde. Eles florescem justamente num momento em que as despesas com saúde estão subfinanciadas. Na saúde privada, que atende ¼ da população brasileira, circulam 53% de todos os recursos. E apenas 47% circulam no SUS para dar todo o atendimento, promoção da saúde, prevenção de doenças, vigilância sanitária, atendimento a doenças complexas, como cirurgias de grande porte, transplantes, tudo o que o SUS faz. Enquanto houver essa equação vamos acirrar o problema. Vão mais recursos para atender a menor parte da população. A dificuldade de acesso e a baixa qualidade estão ligadas diretamente a isso. 
E o subsídio público para a saúde privada?
A saúde privada recebe subsídios públicos diretos e indiretos. Essa é uma questão que precisa ser discutida em praça pública por toda a sociedade. A população não tem noção de que os planos de saúde são financiados por empregadores públicos e privados, que embutem esse custo no preço dos produtos e serviços que toda a sociedade consome. É a sociedade que paga esse benefício que os empregadores dão aos seus trabalhadores. E tem o subsídio fiscal, em que pessoa física e jurídica abatem seus gastos com saúde no imposto de renda. São recursos que o estado poderia arrecadar e não arrecada. O plano de saúde ganha com isso porque se tornam mais atrativos. E o governo gasta também com planos particulares para os servidores. No ano passado foram gastos R$ 3 bilhões. Além disso, algumas operadoras, cooperativas e outras têm isenções de impostos. Há também uma forma de subsídio que é a cobertura de tudo que os planos não cobrem mas que o SUS atende.
O beneficiário dos planos pode ser prejudicado?
O Idec [Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor], no qual integro o conselho diretor, e outras instituições têm se manifestado para que o governo, antes de aprovar a venda, avalie o real impacto da transação, a maior concentração do mercado. É a maior operadora do país que está sendo vendida. Essa concentração é ruim ao monopolizar mais redes credenciadas. Pode, por exemplo, impor pagamentos irrisórios para os prestadores. Isso pode significar a piora na qualidade. Fora o impacto na política de saúde. Trata-se de um sinal de que pode haver um crescimento desse mercado. O que estou dizendo aqui é que o Brasil pode estar trilhando um caminho sem volta. Não é só a possibilidade de outras empresas virem para cá. É a lógica do crescimento do setor privado com a injeção adicional de recursos nesse mercado. O Brasil está numa encruzilhada. Precisa discutir se quer o predomínio dos planos privados incompatíveis com o sistema de saúde universal, comprometido com a promoção da saúde, se quer favorecer e permitir a ascensão desse mercado fragmentado em que as pessoas têm acesso não pelas necessidades de saúde mas conforme a sua capacidade de pagamento. Ou se quer investir nossa riqueza coletiva no financiamento de um sistema público que hoje é subfinanciado, universal, e ser capaz de atender adequadamente a população. É uma discussão que tem que ser feita. 
O setor privado argumenta que desafoga o SUS...
O crescimento do privado, com a injeção de recursos estrangeiros, não desafoga o sistema público. Pelo contrário, reduz a disponibilidade de recursos humanos no sistema público, transfere a capacidade de produção para o privado, não reduz as filas. E as restrições, as negativas de atendimento, empurram para o SUS os idosos, os enfermos com problemas de alta complexidade. Mais gasto com a saúde privada significa fragmentar o sistema de saúde e reduzir aquela característica distributiva, dos sistemas universais. Quanto mais recursos da saúde concentrados em grupos particulares como Amil, menor é a capacidade do poder público de regular. Corremos o sério risco de ver, em curto prazo, a hegemonia do setor privado, na contramão do sistema universalizado preconizado na Constituição e na contramão de vários países, inclusive Estados Unidos. Afinal, a reforma do Obama é fruto do fracasso americano na saúde. Precisamos ver também que esse crescimento desordenado, artificial, casa com o discurso de que o SUS é inviável. A lógica é velha. Transfere as obrigações para o cidadão que pode pagar e empobrece a oferta àqueles que só podem contar com o público. Essa negociação é realmente preocupante.
Rede Brasil Atual

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Alimentação correta evita lesões musculares


Não basta apenas o fortalecimento muscular para evitar lesões na prática  de atividades físicas. É preciso incluir no cardápio a ingestão de alimentos que auxiliam na recuperação do corpo após otreino.
De acordo com estudos, é fundamental incluir na alimentação proteínas que são encontradas nas carnes magras, ovos e leite. Esses alimentos também fornecem aminoácidos que ajudam a formar e reparar os músculos após os exercícios. Além disso, eles atuam no balanço de insulina que melhora o sistema imunológico.
Frutas, legumes, verduras, peixes, castanhas e azeite também não devem faltar no prato do atleta. Pois eles combatem os radicais livres com seus compostos. Os radicais livres aceleram o processo de envelhecimento das células e causa doenças como o câncer.

R7 e WSCOM

Turquia fechou seu espaço aéreo para aviões sírios


Síria turquia síria espaço aéreo turquia fecha espaço aéreo para síriaA Turquia fechou o seu espaço aéreo para os aviões de passageiros sírios, declarou hoje o porta-voz da Chancelaria turca.

“Sim, fechamos o espaço aéreo para os aviões civis. Para os aparelhos militares, ele estava fechado de facto desde há muito”, disse ele, respondendo à pergunta se Ancara pretendia dar resposta em relação à decisão de hoje de Damasco de encerrar seu espaço aéreo para a aviação civil turca. 

Acidente de ônibus na divisa com Pernambuco deixa cinco mortos da mesma família


Um acidente de ônibus na manhã desse domingo (14) causou a morte de cinco pessoas no município de Goiânia, na divisa com o estado de Pernambuco.
O motorista que conduzia o veículo da empresa Joca Tour perdeu o controle, bateu na cerca de proteção da pista e tombou em um barranco. O ônibus saiu da cidade de Natal-RN as 2h da manhã e ia para uma festa religiosa na cidade de Olinda, próxima a Recife.
As cinco pessoas que morreram eram todas da mesma família. Clara Beatriz dos Santos Gomes, 7 anos, Aida dos Santos Conceição 43 anos, Ana Aida Tomaz, 19 anos, Magno Heider dos Santos Conceição, 59 anos, e Isabel dos Santos Conceição, 73 anos, foram as vítimas.
Os demais passageiros e o motorista foram encaminhados para hospitais de Goiania e Recife.
Focando a Noticia

domingo, 14 de outubro de 2012

Saiba mais sobre os sintomas do AVC


População ainda tem pouco conhecimento sobre os sintomas do AVC, diz especialista

Apesar do acidente vascular cerebral (AVC) estar entre as principais causas de internação e morte no país, as pessoas ainda têm pouco conhecimento sobre os sintomas da doença e demoram na busca por atendimento hospitalar. A conclusão foi apresentada hoje (13) pelo neurologista João José Carvalho ao participar do 8° Congresso Mundial de AVC, em Brasília.
O neurologistas coordena a unidade de AVC do Hospital Geral de Fortaleza e fez uma pesquisa sobre a doença em 19 hospitais da rede pública e privada de Fortaleza (CE).
— As pessoas não estão educadas para prevenir e também para identificar rapidamente os sintomas do AVC. Há pouca informação sobre a doença.
Entre os sintomas do AVC estão alterações motoras, de fala, dormência e formigamento. A WSO (Organização Mundial de AVC) recomenda que diante de suspeita de um caso sejam feito alguns testes como pedir que a pessoa sorria e observar se o sorriso está torto. Em seguida, verificar se ela consegue levantar os dois braços e verificar se há alguma diferença na fala, se está arrastada ou enrolada.
A hipertensão foi identificada no estudo do neurologista João José Carvalho como o principal fator de risco comum às pessoas que sofreram AVC no universo pesquisado. O diabetes, o histórico familiar e o fumo também apareceram como elementos de risco importantes.
A Associação Brasil de AVC sugere a adoção de um estilo de vida saudável para diminuir o risco de um primeiro AVC ou de um evento recorrente. Dados da associação apontam que, em cinco anos, a recorrência da doença pode chegar a 24% em mulheres e 42% em homens. Entre as medidas de prevenção sugeridas está o controle da pressão arterial, dos níveis de colesterol e do consumo de álcool.
Recomenda-se também parar de fumar, fazer atividade física regularmente e consumir alimentos com baixo teor de sal e gordura.
Dados do Ministério da Saúde apontam que o AVC está entre as principais causas de morte no país e, em 2010, mais de 33 mil pessoas morreram em decorrência da doença na faixa etária até 70 anos.
Durante o 8° Congresso Mundial de AVC, que começou no último dia 10 e termina hoje, foram discutidas causas, ações de prevenção e apresentados estudos e pesquisas sobre a doença feitos em todo o mundo.
R7 e WSCOM

Marines britânicos são acusados de assasinato no Afeganistão


Foto: PACinco Royal Marines britânicos foram acusados de assassinato em conexão com um incidente no Afeganistão em 2011, confirmou o Ministério da Defesa da Grã Bretanha.
Dois fuzileiros navais foram detidos pela Polícia Militar Real (RMP) no fim de semana, elevando o total de prisões para nove. Quatro dos detidos foram libertados sem acusação.
As regras de alistamento militar, em grande parte decorrentes das convenções de Genebra, estabelecem em que circunstâncias as tropas britânicas estão autorizados a abrir fogo, seja para evitar um ataque do inimigo ou o contato direto.
No caso em questão, os marines são acusados de não ter seguido tais regras e de eventualmente ter matado um inocente.
O Ministério da Defesa havia afirmado anteriormente que o incidente era decorrente de um "confronto com um insurgente" e não havia civis envolvidos.

"Insurgente"

Os marines foram presos na sexta-feira depois de um vídeo suspeito ter sido encontrado no computador de um dos militares por policiais civis no Reino Unido. Acredita-se que esta é a primeira vez que militares britânicos foram presos e acusados de tais crimes durante o conflito no Afeganistão.
As acusações estão relacionadas a um incidente no ano passado, quando o Commando 3 foi baseado em Helmand.
Durante os seis meses de serviço, de abril a outubro do ano passado, sete militares do Comando 3 foram mortos em ação.
Um porta-voz do Ministério disse que os acusados de assassinato "permanecem em custódia por processos judiciais pendentes".
"Seria inapropriado fazer mais comentários sobre a investigação em curso".

"Regras"

Os cinco casos foram encaminhados para o SPA, um organismo independente que investiga crimes militares. O SPA decidiu que os marines devem enfrentar acusações de assassinato. Em entrevista ao Andrew Marr Show, da BBC, o secretário de Defesa, Philip Hammond, não fez comentários sobre detalhes do caso, mas insistiu que o Ministério da Defesa está "determinado que as regras de alistamento" sejam seguidas.
Ele acrescentou: "Todo mundo servindo sabe as regras, eles (marines) carregam cartões em seus uniformes com as regras, caso precisem se lembrar delas."
Há possibilidade de o processo ir para uma corte marcial, um tribunal público com poderes semelhantes a um tribunal real. Ali, podem ser impostas sentenças de prisão, multas ou outras formas penalidades, dependendo da natureza do crime.
Estas cortes são presididas por um juiz auditor e um conjunto de até sete membros leigos, pessoas sem formação jurídica, a exemplo do júri nos tribunais civis.

BBC Brasil 

Panes no metrô paulistano: sintomas do sucateamento


Trens em velocidade reduzida ou parados por vários minutos entre uma estação e outra, aumento do tempo de espera nas plataformas, portas que não abrem. Em 2012, o paulistano vem sofrendo ainda mais com as constantes falhas no metrô de São Paulo. Entre janeiro e maio deste ano, por exemplo, foram canceladas 170% mais viagens programadas pelo sistema em relação ao mesmo período de 2011, segundo dados do Serviço de Informação ao Cidadão (SIC), disponibilizados no site do Metrô (Companhia do Metropolitano de São Paulo).
Na grande maioria dos casos, as falhas não são decorrentes de erros humanos e sim do próprio sistema metroferroviário – e impedem o “despacho”, ou seja, a partida dos trens. A consequência prática é o aumento do tempo de espera nas plataformas e a maior lotação dos vagões. De acordo com os dados do SIC – que constam de um relatório obtido pelo jornal O Estado de S. Paulo em julho – o número de falhas entre janeiro e maio deste ano é ligeiramente maior do que o mesmo período do ano passado – 23 a 20 –, mas as ocorrências geraram mais do que o dobro de cancelamentos de saída de trens: 496 em 2012, 184 em 2011. Ou seja, as panes neste ano têm sido de mais gravidade.
Os problemas variam da não abertura das portas dos vagões ao choque de trens na Linha-3 Vermelha que ocorreu em maio deste ano, fruto de uma falha nos freios. Em 23 de agosto, por exemplo, por causa de um mau funcionamento no sistema de tração, as linhas 1, 2 e 3 circularam com velocidade reduzida. A situação restringiu a entrada de passageiros nos trens, superlotando as estações. O problema foi solucionado cerca de uma hora depois.
Segundo Narciso Soares, do Sindicato de Metroviários de São Paulo, o processo de terceirização de serviços dos trens, a falta de investimento do governo estadual na contratação de funcionários e manutenção e as Parcerias Público-Privadas (PPPs) são fatores que contribuem para o que ele chama de “sucateamento do sistema de transporte público por parte das gestões tucanas”. O PSDB está à frente do estado desde 1994.
Em 2000, o metrô paulistano transportava cerca de 2,4 milhões de pessoas por dia; um ano depois, tinha em seus quadros 7.300 trabalhadores. Hoje, são 4 milhões de usuários, mas o número de funcionários aumentou para apenas 8.600 – além disso, sua extensão cresceu consideravelmente, com a inauguração de novos trechos e estações. Com o aumento da demanda, uma manutenção mais efetiva e mais recorrente é imprescindível para o bom funcionamento do sistema. No entanto, muitas das funções são terceirizadas, como a limpeza e o recolhimento de tarifas. “Isso gera uma queda de qualidade, pois se deixa de lado todo o know-how dos metroviários e se contrata empresas que não têm nenhum conhecimento, que estão interessadas no lucro. Para elas, quanto menos gastos, melhor”, critica Narciso, funcionário do Metrô há oito anos.
Em São Paulo, a malha metroviária estende-se por 74 km, enquanto na Cidade do México são 201 km e em Nova York, 1.056 km. Entre 2003 e 2011 o governo do estado de São Paulo anunciou que investiria R$ 17,1 bilhões no metrô; no entanto, apenas R$ 9,8 bilhões, 57% do prometido, foram despendidos. O valor gasto em 2011 foi de R$ 1,3 bilhão, treze vezes mais que a cifra de 2003 (R$ 99,9 milhões), segundo notícia do portal Terra de maio deste ano.
Para o deputado estadual Simão Pedro (PT), o alto investimento nos trens, que deveria ser destinado a novas linhas e manutenção das demais, perde-se em meio aos desvios de verba, pagamentos de propina, obras superfaturadas e muitas vezes desnecessárias. “O Metrô sofre esses impactos em função de grandes desvios de dinheiro, que passa pelo pagamento de propina e serviços não realizados – as cláusulas estão ali para enganar. É o privado controlando e gerenciando um sistema altamente lucrativo”, denuncia.
A situação mais precária, porém, é a dos funcionários. “Hoje se faz muita hora-extra no Metrô, ninguém vive sem. Se todos os metroviários resolverem não fazer hora-extra durante dois dias, o Metrô para. Tem dinheiro, o problema é definir prioridades”, denuncia Altino de Melo Prazeres Júnior, presidente do Sindicato dos Metroviários de São Paulo. De acordo com ele, “falta dinheiro do governo – qualificação existe, mas faltam funcionários”. Já Narciso explica que não há resposta do governo em relação à contratação de novos funcionários. “A empresa [Metrô] coloca claramente que há um déficit de pessoas, mas não consegue contratar porque o governo não abre vagas.”
Uma greve dos metroviários estava marcada para o dia 4, mas, atendendo a um pedido do TRT (Tribunal Regional do Trabalho), foi adiada para o dia 24, caso as negociações não avancem. Os trabalhadores reivindicam uma divisão mais justa da PR (Participação dos Resultados), que, segundo o sindicato, é destinada de forma desigual, beneficiando os funcionários de altos cargos, cujo salário líquido já é mais elevado. Em carta aberta à população, o sindicato também exige a melhora da jornada de trabalho e a equiparação dos salários. “A população sofre a política do governo estadual, que privilegia os ricos. O sufoco do metrô lotado e a falta de investimento é um retrato da política do governador [Geraldo] Alckmin para os transportes públicos”, diz o texto.
A negligência do poder público em relação ao transporte coletivo também pode ser observada na esfera federal, com a falta de investimentos nas últimos gestões. O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) destinou à área de transportes apenas 0,3% do PIB, enquanto no governo Lula (PT) o investimento foi de 0,4% – em ambos os casos, a prioridade foi o modal rodoviário, em detrimento do sistema metroferroviário. “A bandeira principal é pelo investimento de 2% do PIB nacional no transporte público”, defende Altino.
O presidente do Sindicato dos Metroviários de São Paulo critica ainda a diminuição do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) sobre a produção de automóveis determinada pelo governo federal nos últimos anos. Para ele, a medida contribuiu para o aumento da venda de veículos privados. “A grande medida hoje, para salvar a economia, é diminuir o IPI. Esse foi o grande investimento do Estado. Isso é uma transferência de dinheiro do Estado para a indústria privada. Mais uma vez se priorizou o transporte privado. Por que não se investiu esse dinheiro em construção de quilômetros de metrô?”, reclama.
Carta Maior e Focando a Noticia