sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

El Niño se torna mais ativo e calor tende aumentar

Ao que tudo indica, o ano de 2014 será o período mais quente na história de observações meteorológicas, afirmam cientistas alemães. 
As suas previsões assentam num conhecido fenômeno designado El Niño, ou seja, uma periódica elevação da temperatura das águas do Pacífico com efeitos climáticos anômalos. Utilizando novos métodos de previsão, os especialistas chegaram à conclusão de que o El Niño iniciou mais uma etapa da sua formação em setembro do ano passado, podendo o atingir o seu auge em 2014.
Um calor insuportável, aliado a incêndios, secas e tempestades numas regiões do planeta, e inundações e enchentes – noutras zonas, poderá vir a afetar a Terra já no ano corrente. Os cientistas alemães da Universidade Justus Liebig têm relacionado as previsões sobre eventuais cataclismos com o El Niño. Foram, aliás, pescadores latino-americanos que lhe deram um nome tão afável. Mas, para dizer verdade, depois de crescer um pouco, o ”menino” tem vindo a produzir enormes efeitos sobre o sistema climático do planeta, assinala Piotr Zavialov, do Instituto de Processos Antropogênicos:
“O El Niño é um fenômeno climático bem conhecido, que acontece periodicamente de 4 em 4 anos, tendo origem na parte sul do oceano Pacífico, embora se faça observar à escala mundial. Os ventos alísios da zona tropical oriental enfraquecem, enquanto as temperaturas oceânicas perto do litoral sul-americano se elevam rapidamente e se registra uma distribuição anormal da pressão atmosférica.”
Os mais afetados têm sido, neste caso, os países próximos da linha equatorial. Muitos se lembram ainda dos cataclismos dramáticos ocorridos em 1997 quando os incêndios florestais de grandes proporções se propagaram pela Indonésia e depois acabaram por atingir a Austrália. Naquele ano, a faixa de fogo, que se estendia pelas florestas do Brasil, alcançou 1.600 km. Mas o El Niño se vai aproximando também de latitudes setentrionais, acentua o geógrafo Arkadi Tishkov:
“Peritos em matéria do clima têm destacado o impacto do oceano Pacífico na formação das condições meteorológicas na parte europeia. Se, antigamente, as mudanças do clima local estavam ligadas ali aos processos ocorridos no norte do Atlântico, nos últimos anos, é o El Niño que exerce influência sobre o clima de muitas regiões. Este fenômeno pode causar uma elevada quantidade de precipitações ou, pelo contrário, fazer reduzi-las, alterando a correlação entre as zonas de pressão atmosférica alta e baixa, o que provoca a formação de circulações ciclónicas.”
No hemisfério norte, o El Niño esteve na origem do insuportável calor anormal em junho-agosto de 2010, que bateu todos os recordes na América do Norte, na Europa, no centro e no norte da Ásia. Mas neste ano não existem sinais de reincidências, sustenta Arkadi Tishkov:
“Pode ser que haja um calor um pouco maior do que no ano passado, mas poderá ele atingir as proporções registradas em 2002 ou 2010? Por enquanto, é difícil dar uma resposta exata. Para tal é necessário conhecer não apenas as fases do El Niño. Será necessário sabermos quais as mudanças ligeiras da temperatura oceânica e de seus efeitos sobre a circulação atmosférica. Talvez os cientistas alemães tenham fundamentos para avançar tais previsões. Os serviços meteorológicos russos não têm previsto quaisquer anomalias climáticas do gênero.”
É que as alterações de temperatura do oceano Pacífico concluem o seu ciclo em finais do Outono no hemisfério sul e em finais da primavera, no hemisfério norte. Por isso, não é fácil fazer previsões quanto ao comportamento do El Niño que, por razões inexplicáveis, vai ganhando ou perdendo força.
Créditos: Voz da Russia

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Desordens na Ucrânia provocam 64 mortos em dois dias

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Os confrontos na Ucrânia já provocaram 64 mortos desde 18 de fevereiro, ou seja, no espaço de dois dias, indica uma declaração do Ministério da Saúde da Ucrânia divulgada hoje.



Os corpos das vítimas mortais foram enviados para peritagem legista. Outras 551 pessoas ficaram feridas, 332 delas foram hospitalizadas. Entretanto, nos confrontos ocorridos na capital ucraniana 67 efetivos das tropas do Ministério do Interior foram capturados. Seu paradeiro e estado de saúde se desconhecem até agora.créditos: 
Foto: Voz da Rússia

Estiagem em São Paulo é a pior desde 1930

sabesp_Luciano-Claudino_Fra.jpgO Sistema Cantareira chegou a 17,9% de sua capacidade hoje (20), e o governo estadual já trabalha com a projeção de que os reservatórios, que abastecem cerca de 10 milhões de pessoas na região metropolitana de São Paulo, devem chegar a apenas 16% no dia 1º de março. Trata-se da pior estiagem desde o início das medições, em 1930, superando a seca de 1953-1954, utilizada como modelo no Plano Diretor de Recursos Hídricos do estado para projetar situações de emergência. Se, em janeiro de 1953, a vazão média mensal no Sistema Cantareira foi de 24,5 m³/s, no mês passado esse índice foi de apenas 14,3 m³/s. Em fevereiro, até o dia 19, a vazão média era de apenas 8,9 m³/s. "E isso com o agravante de que, naquela época, a região metropolitana tinha algo como 2 milhões de habitantes. Hoje, são 20 milhões. A situação é verdadeiramente alarmante", alerta Chico Brito (PT), prefeito de Embu das Artes e presidente do Comitê da Bacia Hidrográfica do Alto Tietê (CBH-AT), órgão que reúne representantes de 36 prefeituras na região metropolitana, o governo estadual e organizações da sociedade civil.
"O governo do estado está muito preocupado com a situação, mas me parece muito focado em ações paliativas, imediatas. A situação é grave e exige investimento para o longo prazo", aponta Brito, que calcula um prazo mínimo de três anos para que o Sistema Cantareira possa voltar à normalidade após chegar aos níveis mais baixos de sua história. Como integrante do grupo de trabalho montado pela Agência Nacional de Águas (ANA), o Departamento de Águas e Energia (DAEE) e a Sabesp para lidar com a situação, o comitê cobra medidas da administração Geraldo Alckmin (PSDB) para enfrentar os problemas de abastecimento, como multa a quem desperdiçar água.
"O incentivo dado pela Sabesp é importante, mas, sozinho, não adianta. Acreditamos que há necessidade de estabelecer limites de consumo de água e multar quem cometer desperdício", afirma Brito. "E, ao mesmo tempo, investir em dois novos reservatórios, em Campinas e em Mogi das Cruzes, para que tenhamos um banco de águas que seja suficiente para lidar com estiagens prolongadas. Hoje, não temos reservas." As obras, com custo estimado de R$ 10 milhões, foram sugeridas ao governo estadual pela primeira vez em 2004, e, se tivessem sido iniciadas, poderiam ter ficado prontas em 2013.
Ainda de acordo com o presidente do comitê, o governo estadual já deveria ter começado a instalar novas bombas no Sistema Cantareira para captar água do "volume morto", como é chamada a reserva que está fisicamente abaixo do sistema atual de captação. "40% do potencial total da represa está abaixo das bombas. É um volume que normalmente não é captado porque apresenta mais sedimentos, mas nós vamos precisar dessa água durante a emergência atual", afirma Brito. O "volume morto" teria 400 milhões de metros cúbicos de água, dos quais cerca de 20% poderiam ser utilizados com segurança.
"Tirar a água de lá é uma medida de emergência, mas a obra, não. Leva 60 dias, no mínimo, para rebaixar as bombas. Se deixarmos para fazer quando o nível já estiver muito próximo de zero, não vamos escapar do racionamento", pondera Brito.
Na última terça-feira (18), o governador Geraldo Alckmin (PSDB) anunciou os primeiros resultados da campanha de desconto na conta de água para quem poupar mais e indicou que está satisfeito com as ações desenvolvidas para combater a falta d'água até agora. "São Paulo foi talvez o único ente federativo que estabeleceu um estímulo para quem faz o uso racional da água. A população está de parabéns", disse. "Com a campanha que estamos fazendo, a população vai participar mais ainda, e vamos ter um grande ganho em termos de uso racional de água", finalizou o governador.
Entre 9 e 16 de fevereiro, a campanha de descontos promovida pela Sabesp reduziu o consumo em 2,12 m³/s, o equivalente para o uso diário de 183 mil caixas d'água. Foto LUCIANO CLAUDINO/FRAME/FOLHAPRESS
Créditos: Rede Brasil Atual

Janeiro registra desemprego de 4,8%, menor taxa da história

O mês de janeiro deste ano registrou uma taxa de desemprego de 4,8%. O dado da Pesquisa Mensal de Emprego (PME) foi divulgado hoje (20) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Esta é a menor taxa para um mês de janeiro da série histórica da PME, iniciada em março de 2002. Em janeiro de 2013, o desemprego havia ficado em 5,4%. Já em dezembro de 2013, a taxa havia sido de 4,3%.
O número de desocupados (1,2 milhão de pessoas) é 9,6% maior do que dezembro, mas 12,6% menor do que o observado em janeiro do ano passado. Já a população ocupada (23,1 milhões) caiu 0,9% em relação a dezembro e manteve-se estável na comparação com janeiro de 2013.
O número de trabalhadores com carteira assinada ficou em 11,8 milhões, ou seja, estável em relação a dezembro e janeiro de 2013. A PME é realizada em seis regiões metropolitanas: São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Recife, Salvador e Porto Alegre.
Créditos: Agencia Brasil

Ucrânia contabiliza mais 25 mortes em confrontos e cessar-fogo fracassa

Polícia UcrâniaOs confrontos entre manifestantes armados e a polícia em Kiev, capital da Ucrânia, provocaram pelo menos 25 mortos entre ontem (19) e hoje (20), apesar do cessar-fogo anunciado quarta-feira. O número de mortos na cidade  é um desafio e não há exatidão. As estimativas são baseadas na contagem de corpos espalhados nos locais de confronto entre forças policiais e manifestantes, em especial no centro da cidade. Ontem, haviam sido contabilizados 26 mortos.
Nesta quinta-feira, manifestantes com o rosto coberto lançaram coquetéis molotov e pedras contra a polícia antimotim na Praça da Independência, o epicentro dos três meses de manifestações contra o governo ucraniano.  A polícia usou balas de borracha para tentar repelir os ataques, afirmando que um atirador do lado da oposição havia ferido 20 policiais disparando munições reais a partir da janela de um prédio com vista para a praça. A sede do Governo ucraniano na praça também foi evacuada na manhã de hoje.
Depois de várias semanas de calma, a capital ucraniana, Kiev, voltou, nesta terça-feira, a ser palco de violentos confrontos entre ativistas antigovernamentais e forças de segurança, que têm sido condenados pela comunidade internacional. O Brasil se manifestou sobre a questão, assim como os Estados Unidos, a Rússia, o papa Francisco e o Alto Comissariado das Nações Unidas (ONU) para os Direitos Humanos. Para hoje estava prevista a chegada de uma comitiva de diplomatas europeus em Kiev, que foi cancelada por razões de segurança. 
A crise política na Ucrânia começou no final de novembro quando milhares de pessoas saíram às ruas para protestar contra a decisão do presidente Viktor Yanukóvich, de suspender os preparativos para assinar um acordo de associação com a União Europeia e reforçar os laços com a Rússia. Depois de algumas semanas de trégua nos confrontos, os enfrentamentos voltaram a ocorrer, especialmente na capital do país.* Com foto e informações da Agência Lusa
 Créditos: Agencia Brasil

Venezuela: Maduro admite que poderá decretar estado de exceção

Maduro admite que poderá decretar estado de exceçãoCom seis mortes confirmadas nessa quarta-feira (19), desde o início dos protestos na semana passada, o governo de Nicolás Maduro anunciou que poderá decretar estado de exceção em algumas regiões da Venezuela, para conter o que “chama de plano de conspiração contra a estabilidade”.
A primeira região poderá ser Táchira (estado da Região Andina), que registrou sérios distúrbios, como barricadas, incêndios e atentados com tiros em manifestantes.
"Se tenho que decretar estado de exceção especial para Táchira, estou pronto para decretá-lo e mandar os tanques, as tropas, a aviação, mandar toda a força militar da pátria. Estou pronto para fazê-lo. Primeiro, tenho as faculdades constitucionais para fazê-lo, tenho a claridade estratégica e tenho a lei habilitante, disse Maduro em pronunciamento em cadeia nacional de rádio e televisão
A situação também se agravou em Valência, capital de Carabobo. Lá ocorreram fortes confrontos, e os ânimos estavam bastante acirrados nessa quarta-feira, após a morte da Miss Turismo do estado, Génesis Carmona, 22 anos, que havia sido ferida na terça, quando participava de um protesto.
Maduro também anunciou que já mandou deter os infiltrados nas manifestações. Segundo ele, os infiltrados e motorizados são parte do plano para amedrontar e criar medo na classe média venezuelana e para “injetar o ódio no país”.
Ele ressaltou que as ações não fazem parte do chavismo. “Aqui não há ninguém enviado nem autorizado [a agir com violência], se alguém tomou essa iniciativa, eu desconheço e chamo para que volte atrás. Vamos respeitar a convivência em paz das pessoas, dos vizinhos. Eu assumo a minha responsabilidade e que vocês assumam a de vocês, chefes da oposição”.
As informações são bastante controversas no país. O governo atribui a violência aos infiltrados, supostamente ligados a grupos da extrema direita, para provocar o caos e gerar instabilidade.
Entre os opositores e manifestantes há um consenso de que parte da onda violenta é fruto da repressão policial e também da ação de grupos motorizados armados. Em vários protestos, estudantes denunciam a presença de coletivos socialistas, acusados pela oposição de atuar como paramilitares, debaixo da conivência do governo.
Em seu pronunciamento, Maduro defendeu os coletivos, ao dizer que não aceitaria a “demonização desses grupos”. Ele garantiu que os coletivos não têm ligação com os atentados.
“Eu lhes dou garantias de que o que esses coletivos estão fazendo é trabalhar e produzir cultura”, disse. No entanto, o presidente admite o porte de armas entre esses grupos.  “No passado, eles se armaram, se organizaram para proteger sua comunidade”
Maduro defendeu que, para frear a violência, a Justiça seja acionada e revelou a existência de um plano de setores da oposição para “assassinar Leopoldo López”, o opositor detido desde terça-feira (18).
Créditos: Agencia Brasil

Assembleia de Minas gasta R$ 1 bi, recorde no Brasil

almg_Lia-Priscila_almg.jpgPela primeira vez o orçamento anual de um legislativo estadual ultrapassou R$ 1 bilhão. A Assembleia Legislativa de Minas Gerais custará R$ 1.011.775.712,00 em 2014. O valor supera o orçamento da Polícia Civil mineira (R$ 962 milhões) e o da Secretaria de Transportes e Obras (R$ 995 milhões), o que comprova haver, no mínimo, um desequilíbrio nas prioridades orçamentárias.
O recorde é nacional. O Legislativo de São Paulo, o estado com a maior economia do Brasil, gasta R$ 130 milhões a menos do que o mineiro, mesmo tendo mais deputados estaduais (94 contra 77), por ter uma população maior.O Legislativo é um poder independente, mas as forças políticas que controlam o parlamento mineiro são alinhadas ao governo tucano desde 2003 – a exemplo do que ocorre na maioria dos estados. O gasto da Casa desconstrói o discurso de "choque de gestão" propagandeado tanto na gestão de Aécio Neves (PSDB-MG) como na de seu sucessor, o governador Antônio Anastasia (PSDB-MG).
Na prática, os governadores tucanos endossam estes custos. Aceitam o orçamento bilionário, sem maiores discussões, em troca do apoio da maioria dos deputados estaduais.
Não se discute a importância do Poder Legislativo para o equilíbrio democrático e, como qualquer órgão, precisa de uma estrutura adequada para desempenhar suas funções a contento. Mas convenhamos que há algo errado quando a Casa suga mais dinheiro público do que toda a Polícia Civil, principalmente em um estado onde a criminalidade cresceu.

Esse algo errado foi confirmado quando veio à tona a notícia de que o piloto particular do helicóptero do deputado estadual Gustavo Perrella (SDD-MG) apreendido com meia tonelada de pasta de cocaína havia sido colocado como funcionário "fantasma" na Assembleia. Gastos com combustíveis da aeronave também eram pagos com dinheiro da Assembleia. Quantos outros casos semelhantes haverá, para chegar ao gasto de R$ 1 bilhão?

Só a título de comparação, o tão questionado custo da reforma do Mineirão feita pelo governo de Minas foi de R$ 666 milhões, em um processo que levou três anos. Cada legislatura da Assembleia de Minas, num período de quatro anos, acabará custando R$ 4 bilhões se mantido este ritmo. Seis Mineirões. Claro que boa parte deste dinheiro poderia ser melhor aplicada em saúde, educação, transporte, moradia, geração de emprego e segurança pública.   

O senador Aécio Neves (PSDB-MG) é useiro e vezeiro em criticar gastos federais, mas não olha para o próprio umbigo sobre o que ocorre em Minas, onde sua influência é total. Assim fica difícil se oferecer como candidato a presidente da República, para fazer no Brasil o que o tucanato faz em Minas. Por Helena Sthephanowitz/Blog da Helena
Créditos: Rede Brasil Atual