sábado, 22 de fevereiro de 2014

Quase 200 civis e insurgentes morrem em massacre na Nigéria

Nigéria, vítimas
O número de mortos em um ataque realizado pela seita islamita Boko Haram na quarta-feira na cidade de Bama, no nordeste da Nigéria, terminou em 98 civis e 100 insurgentes mortos, informou nesta sexta-feira a imprensa local. 
No ataque à cidade do Estado de Borno 47 pessoas foram mortas pelos rebeldes, segundo as primeiras informações. Por fim, o número de vítimas chegou a 98 pessoas, enquanto 100 rebeldes morreram na resposta militar do exército nigeriano, segundo fontes da equipe de socorro que atendeu as vítimas do ataque em Bama.

"Descobrimos alguns corpos nas florestas e dentro das casas" de Bama, que ficou sitiada das 4h15 às 12h locais (0h15 às 8h de Brasília), disse Akura Satomi, membro da equipe que participou dos trabalhos de resgate após os ataques. Os criminosos chegaram ao município armados com pistolas, granadas e bombas.Nos ataques, o grupo também matou um chefe de distrito de Goniri Ward, Alhaji Shehu Baa Terab, e destruiu mais de 500 prédios, incluindo o palácio do emir de Bama, Alhaji Kyari Ibn O-Kanemi. O massacre de quarta-feira foi o último de uma série de ações da seita em Bama e em cidades vizinhas.
O presidente do governo local, Baba Shehu Gulumba, disse que cerca de 500 pessoas morreram em ataques desde o início de 2014 em várias regiões. "Os últimos ataques foram os mais prejudiciais", afirmou.Embora o governo federal nigeriano tenha declarado estado de emergência e enviado tropas a Borno e aos estados de Adamawa e Yobe, a seita islâmica continua fazendo ataques mortais que deixaram centenas de mortos.
O Boko Haram, cujo nome significa "educação não islâmica é pecado", luta para impor a "sharia" (ou lei islâmica) na Nigéria, de maioria muçulmana no norte e predominantemente cristã no sul.EFE
 Foto: EPA
Créditos: Voz da Russia 

UE congela bens e restringe vistos para envolvidos em protestos na Ucrânia

Maduro ameaça tirar rede CNN do arMinistros da União Europeia (UE) firmaram, na quinta-feira (20), acordo com o presidente da Ucrânia, Viktor Ianukovich, para convocação de eleições presidenciais e parlamentares antecipadas, ainda neste ano, segundo informou ontem (20) o primeiro-minsitro da Polônia, Donald Tusk. O acordo prevê também a instalação, nos próximos dez dias, um governo de unidade nacional. Além disso, o bloco europeu decidiu impor o congelamento dos bens e restringir vistos para viagens aos ucranianos envolvidos em atos de violência.

O secretário de Estado dos Assuntos Europeus, Bruno Maçães, considerou a decisão de aplicar "sanções individuais" a responsáveis por violações de direitos humanos na Ucrânia, "positiva" e "eficaz". "São sanções individuais, dirigidas às pessoas responsáveis por violações de direitos humanos ou atos de violência. Não são sanções contra o povo da Ucrânia, não são sanções contra a Ucrânia – achamos que isso seria contraproducente, o povo ucraniano já tem sofrido bastante nos últimos meses", afirmou Maçães.

A crise política na Ucrânia começou no final de novembro quando milhares de pessoas saíram às ruas para protestar contra a decisão do presidente de suspender os preparativos para a assinatura de um acordo de associação com a União Europeia e de aprofundamento das relações com a Rússia. 
Após várias semanas de calma, Kiev voltou, desde terça-feira (18), a ser palco de violentos confrontos entre ativistas antigovernamentais e forças de segurança. Os confrontos provocaram mais de 90 mortos, dos quais 70 apenas nesta quinta-feira, segundo médicos que apoiam os manifestantes. Também no confronto desta quinta, 67 policiais foram feitos reféns pelos manifestantes. O Parlamento da Ucrânia decidiu hoje proibir a operação "antiterrorista" anunciada quarta-feira (19) pelos serviços de segurança e dirigida contra manifestantes extremistas e radicais. Dos 238 deputados reunidos em sessão extraordinária da Rada (Parlamento ucraniano), apenas dois se recusaram a votar pela proibição da operação, que foi aprovada por nove votos.

A operação foi anunciada pelo chefe do Serviço de Segurança da Ucrânia, Alexandr Yakimenko. As ações cobririam todo o país e poderiam contar com a participação do Exército. Yakimenko não especificou a natureza das medidas previstas. Pouco antes, o Ministério do Interior anunciou que armas de guerra tinham sido entregues às forças de segurança e a polícia admitiu usar balas reais. No campo diplomático, o presidente russo, Vladimir Putin, anunciou que vai enviar à capital, Kiev, a pedido do presidente ucraniano, um representante para participar de mediação com a oposição. Putin, a chanceler alemã, Angela Merckel,  e o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, destacaram, a necessidade de “encontrar, o mais rapidamente possível, uma solução política para a crise na Ucrânia”. Segundo nota divulgada após conversas telefônicas entre os três líderes, “o banho de sangue deve cessar”. Os ministros dos Negócios Estrangeiros da França, da Alemanha e da Polônia estão em Kiev tentando conseguir o fim dos confrontos. Após reunião, no entanto, Vitali Klitschko, um dos líderes da oposição na Ucrânia, disse que ainda não há acordo para a saída do país da atual crise. O chefe da diplomacia polonesa, Radoslaw Sikorski, disse no Twitter que "foram realizados progressos" nas negociações, mas ressaltou que "persistem importantes divergências". *Com informações da Agência Lusa.
Créditos: Agencia Brasil

Dessalinizador transforma vidas em assentamento

Foto: Kalyandra Vaz/Incra/PBA história das famílias do Assentamento Cachoeira Grande, no município de Aroeiras, no Agreste paraibano, pode ser dividida entre antes e depois da instalação do dessalinizador na comunidade.
Sem a garantia de água potável todos os dias, a rotina dos assentados e das comunidades rurais da região era marcada por incertezas e pela presença frequente de carros-pipas e filas de crianças com diarreia no posto de saúde do assentamento devido ao uso de água salobra e imprópria para o consumo.
A mudança de uma situação de insegurança hídrica para a abundância de água veio no início de 2012, quando foi instalada no assentamento uma unidade demonstrativa do Programa Água Doce, uma parceria de diversas instituições governamentais e não-governamentais, com recurso do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), e que assegura o acesso à água própria para o consumo humano para as 33 famílias de Cachoeira Grande. “O carro-chefe do programa é a água para beber. Antes a gente tinha que esperar carro-pipa ou bebia a água do Rio Paraibinha, que é salobra”, contou o assentado Celso Ferreira Sousa, de 54 anos. Para ele, a mudança na qualidade de vida das famílias pode ser vista na sala de espera do posto de saúde da comunidade. “Agora não dá mais diarreia nas crianças. O problema praticamente acabou. Antes o posto de saúde vivia cheio”, disse.
Segurança hídrica
Além da água filtrada pelo dessalinizador, as 33 casas do Assentamento Cachoeira Grande também possuem cisternas de placas com capacidade para 16 mil litros cada uma, construídas em 2010 com recursos do Crédito Semiárido do Incra, muitas delas pelas mãos de Sousa.
A água dessalinizada também abastece a creche e o posto de saúde que funcionam no assentamento e pelo menos outras 50 famílias de comunidades vizinhas. Os assentados explicam que compartilham a água dessalinizada com famílias de outras comunidades, principalmente de novembro a abril, quando a terra está mais seca e a estiagem do Sertão nordestino se assevera.
Segundo a assentada Terezinha Barbosa da Silva, 52 anos, moradores de comunidades da agricultura familiar de Aroeiras, distante 50 km do assentamento, costumam ir buscar água no chafariz do assentamento Cachoeira Grande. O marido de Terezinha, também assentado, Olivaldo da Silva, 60 anos, é o voluntário responsável pela entrega da água às famílias. O assentado explica que todo dia, das 7h às 9h, exceto sábados, domingos e feriados, há distribuição de uma cota de 40 litros de água a todos que pedem e que a comunidade estabeleceu prioridades de acordo com as diferentes necessidades. “Quem tem recém-nascido em casa ou é dono de mercearia pode pegar 60 litros”, explicou. Dona Terezinha faz questão de enfatizar que os beneficiados pelo programa sempre partilharam a água com todos que pedem. “Quem vai negar água?”, questiona.
Dessalinização
A água salobra possui salinidade intermediária entre a água do mar e a água doce – entre 5% e 30% da concentração de sal encontrada nos oceanos. Ela é retirada de um poço com vazão de 2,7 mil litros por hora, cavado há cerca de 15 anos pela Prefeitura de Aroeiras.
Com o auxílio de uma bomba, a água abastece uma caixa d’água com 16 mil litros da lavanderia comunitária e outra caixa d’água com capacidade para cinco mil litros que armazena a “água bruta”. Depois, a água segue para o dessalinizador e, impulsionada por uma bomba de alta pressão, passa por três tubos onde seis membranas e quatro filtros retiram o sal.
A água dessalinizada, pronta para o consumo humano, segue para uma caixa d’água de cinco mil litros de capacidade, que abastece o chafariz com três torneiras onde os assentados e agricultores de comunidades vizinhas pegam diariamente sua cota de água potável: 40 litros.
Embora o dessalinizador tenha capacidade para dessalinizar até 900 litros de água por hora, atualmente são processados cinco mil litros de água por dia, o suficiente para atender as famílias do assentamento e de comunidades vizinhas.
Tilápias
O rejeito, ou seja, a água que não é beneficiada no processo de dessalinização, segue para dois tanques de contenção, escavados no solo e forrados com lonas apropriadas. Neles são criados peixes tilápia, que rendem nas despescagens, realizadas sempre antes da Semana Santa, cerca de 700 quilos de pescado.
Cada quilo de peixe é vendido por R$ 7, gerando uma renda anual para a comunidade de aproximadamente R$ 5 mil. O valor arrecadado é dividido em duas partes iguais. Metade é destinada à manutenção do projeto – aí incluídas a compra da ração dos peixes e de peças de manutenção do dessalinizador. O restante é repartido entre os cinco assentados voluntários do projeto.
O programa de dessalinização de água integrado à piscicultura não é de fácil manutenção. Os voluntários são responsáveis pelo funcionamento e manutenção da máquina dessalinizadora, cujos filtros precisam ser trocados a cada três meses, pela distribuição da água e ainda pelo controle das condições dos tanques de peixes (temperatura, condutividade elétrica e nível de oxigênio da água) e despesca.
Erva-sal
Um terceiro tanque é usado como auxiliar no processo de limpeza dos outros tanques. A água não tratada é utilizada para o gado bovino e caprino e para o plantio irrigado por gotejamento da erva-sal  (Atriplex Nummularia).
A planta forrageira é originária da Austrália e muito utilizada para o pasto, por sua capacidade de servir como complemento para os rebanhos na seca, oferecendo um alimento rico em proteína e sais minerais no período de maior carência nutricional dos animais. “No ano passado, a erva-sal foi a salvação dos animais durante a seca. Com ela, minha vaca até passou a dar mais leite”, afirmou o assentado Celso Sousa, que ainda fez um balanço do programa: “A vida das famílias mudou muito. Foi o melhor projeto que já chegou aqui. Agora só queremos mais um ou dois poços para a gente poder ajudar mais vizinhos”, afirmou o generoso Celso Sousa.
Por sua vez, o engenheiro agrônomo Hugo da Costa Araújo, da Cooperativa de Trabalho Múltiplo de Apoio às Organizações de Autopromoção (Coonap) – contratada pelo Incra na Paraíba para a prestação de assistência técnica aos assentados –, reforça a importância da erva-sal para a criação de animais no Semiárido. “A erva-sal é rica em proteínas e bem aceita pelos animais”, disse o agrônomo.
Assistência Técnica
A Coonap é uma das entidades de assistência técnica contratadas pelo Incra na Paraíba e atua em 35 assentamentos da reforma agrária paraibanos. Os técnicos da entidade acompanham o funcionamento do Projeto Água Doce, assim como as culturas tradicionais de milho, feijão, fava e jerimum (um tipo de abóbora) cultivadas no assentamento e a criação de bovinos, aves, caprinos e ovinos.
O Programa
A implantação do Programa Água Doce no assentamento, com R$ 117 mil em recursos do BNDES, incluiu a implantação física da Unidade Demonstrativa (casa do dessalinizador e três tanques de retenção para criação de peixes); o peixamento dos tanques de produção, com 1,5 mil alevinos; o treinamento da comunidade para operação da Unidade Demonstrativa; e atividades de mobilização social para a sustentabilidade ambiental do programa.
O programa é uma ação do governo federal, coordenada pelo Ministério do Meio Ambiente, em parceria com cerca de 200 instituições federais, estaduais, municipais e sociedade civil, que atende prioritariamente comunidades rurais localizadas no Semiárido brasileiro. A iniciativa busca estabelecer uma política pública permanente de acesso à água de qualidade para o consumo humano por meio do aproveitamento sustentável de águas subterrâneas, incorporando cuidados ambientais e sociais na gestão de sistemas de dessalinização.
O Água Doce faz parte do Programa Água para Todos, do Plano Brasil Sem Miséria, e assumiu a meta de recuperar, implantar e gerir 1,2 mil sistemas de dessalinização até 2014, beneficiando 500 mil pessoas com investimentos de R$ 168 milhões. Os recursos provêm de convênio firmado entre os ministérios do Meio Ambiente, do Desenvolvimento Social (MDS) e da Agência Nacional de Águas (ANA). Fonte:Incra.
Créditos: Focando a Notícia

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Adolescente faz transplante de células tronco e volta a enxergar

Adolescente está voltando a enxergarUm adolescente de 14 anos voltou a enxergar após fazer um transplante de células tronco em uma clínica escola da Paraíba. O paciente é morador do distrito de Galante, na Zona Rural de Campina Grande, no Agreste do Estado, a 180 quilômetros de João Pessoa.
O tratamento do adolescente foi feito em três cirurgias, sendo que na última das intervenções foi feito um transplante de células-tronco da córnea do olho saudável. O médico que realizou o tratamento, Diego Gadelha, informou que o último procedimento trouxe excelentes resultados e a recuperação física e, consequentemente emocional do paciente. A visão do jovem está retornando aos poucos e ele diz que antes sentia muita dor e via tudo branco com o olho acidentado. Hoje, ele diz que consegue identificar as pessoas e vem sentindo que está melhor a cada dia.
A mãe do adolescente, a agricultora Elizângela Félix, contou que o filho ajudava o tio no carregamento de soda cáustica quando um dos baldes bateu em um ferro e a substância derramou caindo sobre o olho dele.  A agricultora contou, ainda, que levou o adolescente ao Hospital de Trauma da Campina Grande e que teria recebido a informação de que o filho tinha perdido o olho.Ela disse que foi encaminhada pelo Hospital de Trauma de Campina Grande para a Clíníca Escola da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba que em parceria com o Hospital da Visão realizou o tratamento do rapais.
O médico Diogo Gadelha informou que o tratamento desenvolvido através de parceria entre a FCM e Hospital da Visão existe há dois anos. Este é do segundo paciente que passou pelo transplante de células tronco com resultados positivos.No primeiro caso, um jovem perdeu a visão de um dos olhos após um acidente com cal e voltou a enxergar após utilizada a técnica.Ele disse que não tem conhecimento sobre o uso desse tipo de transplante na Paraíba. "É uma técnica inovadora em que são retiradas do limbo da córnea algumas células tronco que têm a capacidade de se renovar.
Elas são retiradas do olho saudável e implantadas no olho doente. Isso faz com que ocorra uma recuperação da transparência da córnea e o paciente volta a enxergar", explicou.O especialista disse que essa técnica é aplicada especificamente para quem perdeu a visão por causa de problemas na córnea causados por queimadura química. Quando o acidente acomete só um dos olhos, o transplante é feito das células tronco do olho saudável.No caso da queimadura química atingir os dois olhos, Diogo Gadelha explicou que o transplante pode ser feito de um doador que seja pai ou mãe do paciente ou ainda um parente em primeiro grau.O tratamento é aberto a todos os pacientes que necessitem. Ele informou que as pessoas podem procurar a clínica escola da FCM, em Campina Grande, para casos de encaminhamentos através do SUS ou o Hospital da Visão, quando tratar-se de encaminhamento particular ou através de convênios com planos de saúde.
Créditos:Portal Correio

Greve de ônibus prejudica 44 linhas de ônibus na zona norte de SP

SP: greve de ônibus prejudica 44 linhas de ônibusMotoristas e cobradores da Viação Sambaíba entraram em greve hoje (21), tirando de circulação 448 ônibus coletivos, que atendem a 44 linhas na zona norte da capital paulista. Os trabalhadores reivindicam o pagamento de horas extras, mais segurança e melhores condições de trabalho, informou Fabiano Nicoleti, representante do Sindicato dos Motoristas e Trabalhadores do Transporte Rodoviário Urbano de São Paulo (Sindmotoristas).
A São Paulo Transporte (SPTrans), responsável pelo transporte coletivo na cidade, acionou o Plano de Apoio entre Empresas em Situação de Emergência (Paese) desde as  4h40 e disponibiliza 223 ônibus para as 30 principais linhas afetadas. 

Os grevistas são funcionários da Garagem 3 da Sambaíba, localizada na Rua João Simão de Castro, altura do número 50, no bairro Parque Edu Chaves. Há dez dias, uma greve paralisou outra garagem da mesma empresa, afetando mais de 200 ônibus, em 28 linhas da zona norte. Motoristas e cobradores fizeram diversas reivindicações, como a suspensão do uso de câmeras de vigilância para punir funcionários, o pagamento das horas em que os colaboradores ficam à disposição da empresa e uma solução para o problema das caronas na periferia, o que teria motivado o incêndio de dois ônibus da Sambaíba no último dia 10.
Agencia brasil

Alcoolismo é a principal causa de afastamento do trabalho por uso de drogas

Dados do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) apontam que o alcoolismo é o principal motivo de pedidos de auxílio-doença por transtornos mentais e comportamentais por uso de substância psicoativa. O número de pessoas que precisaram parar de trabalhar e pediram o auxílio devido ao uso abusivo do álcool teve um aumento de 19% nos últimos quatro anos, ao passar de 12.055, em 2009, para 14.420, em 2013.
Os dados mostram que os auxílios-doença concedidos as pessoas com transtornos mentais e comportamentais devido ao uso de drogas passaram de 143,4 mil. Cocaína é a segunda droga responsável pelos auxílios concedidos (8.541), seguido de uso de maconha e haxixe (312) e alucinógenos (165). 
São Paulo teve o maior número de pedidos em 2013 por uso abusivo do álcool, com 4.375 auxílios-doença concedidos, seguido de Minas Gerais, com 2.333. Integrante do Conselho Regional de Serviço Social de São Paulo (Cress-SP), o assistente social Fábio Alexandre Gomes ressalta que o aumento é extremamente superficial, visto que boa parte da população não contribui para o INSS e por isso não tem direito a esse benefício.
“O impacto do álcool hoje na vida das pessoas é muito maior. Muitos casos inclusive de uso abusivo do álcool estão associados com a situação de desemprego. E a juventude tem iniciado experiências cada vez mais cedo”, explica ele. “Tenho casos frequentes de crianças fazendo uso abusivo de álcool a partir dos oito anos. Estou acompanhando um menino que hoje, com dez anos de idade, usa crack, mas a porta de entrada foi o álcool”, conta o assistente social ao relatar que por ser uma substância socialmente permitida em casa, acaba sendo de fácil acesso.
Ele também relata aumento sensível de mulheres que não aderem ao tratamento, fruto de preconceito social. “Na minha experiência como assistente, este consumo abusivo está ligado principalmente a relações de violência, sobretudo, amorosas. E geralmente o consumo é de cachaça”, ressaltou. Ele criticou a concentração de políticas públicas dirigidas a substâncias ilícitas, quando o álcool é uma das substâncias lícitas cada vez mais usadas por adolescentes e mulheres, independentes da classe social. Gomes ressalta que faltam campanhas que falem do impacto do álcool na gravidez. “O consumo do álcool durante a gestação é algo que não se discute muito. Muitas gestantes pensam 'ah está muito calor vou tomar só um copinho', sem saberem o impacto que isso tem na formação das crianças”, alertou Alexandre Gomes.
Há 24 anos sem beber uma gota de álcool, o vendedor autônomo João Souza, 54 anos, morador do Rio de Janeiro, acredita que largar o vício sem ajuda profissional é “praticamente impossível” e afirma que não existe cura para a doença. “A família é muito importante, mas sozinha não dá conta se não houver apoio profissional. A questão não é moral, é bioquímica, de estrutura e só com muito tratamento”, pondera ele. “Procurei os Alcoólicos Anônimos (AA) e vou lá até hoje, faço a manutenção, porque preciso” conta ele. 

O auxílio-doença é um direito de todo trabalhador segurado pelo INSS, que não perde o emprego ao se ausentar. Para pedir o auxílio-doença por uso abusivo de droga, o solicitante deve ter pelo menos 12 meses de contribuição e comprovar, por meio de perícia médica, a dependência da droga que o incapacita de exercer o trabalho. A valor do benefício varia de acordo com o valor recolhido pela Previdência Social. Segundo a assistente social Andresa Lopes dos Santos, também integrante do Cress-SP, o benefício é um grande avanço para o trabalhador brasileiro, pois assegura a manutenção financeira da família, mantém o vínculo do trabalhador no emprego, que pode se tratar enquanto estiver de licença. “É importante um trabalho para dar o suporte à família e ao dependente do álcool, que muitas vezes sustenta a família poderá fazer um tratamento”, salientou ela.
Créditos: Agencia Brasil

Lenta, gradual e frágil: a democracia requer atenção e zelo

AplausosA passagem dos 50 anos do golpe civil-militar é uma oportunidade de discutir não só as circunstâncias, mas os efeitos para o Brasil, em termos de interrupção de projetos – de vidas, de esperanças. A história oficial, lida nos bancos escolares e divulgada nos meios de informação, tratava o movimento como “revolução”. E o pretexto, uma suposta sanha comunista. Até hoje, há quem alardeie um “perigo vermelho” em qualquer ação considerada mais avançada ou progressista.
Consumado, o golpe teve apoio quase unânime dos principais meios de comunicação. No ano passado, um desses jornalões chegou a fazer uma espécie de mea-culpa por tal postura. Outros se surpreenderam com a face violenta que logo emergiu. Das escolas e redações, estudantes e cidadãos foram privados de conhecimento e de informação, ferramentas básicas contra tentações autoritárias.
O avanço gradual da abertura democrática foi trazendo à luz algumas verdades. Soube-se que os comandos militares não foram os únicos executores e mandantes do golpe. Forças econômicas e civis moveram e financiaram a “revolução”, e empresas e o governo norte-americano participaram de todas as articulações para derrubar João Goulart.
Vieram a “abertura” gradual, a contestada Lei da Anistia, a resistência da linha-dura do regime, a campanha das Diretas Já (que completa 30 anos) e, finalmente, a volta das eleições. Foi difícil e doloroso, mas a democracia, com problemas e entraves, se consolidou. Neste ano, o país terá sua sétima eleição presidencial seguida, uma ­sequência inédita. Mas há quem se infiltre e tente jogar areia na engrenagem, o que reforça ainda mais o papel da comunicação transparente e livre, com diversidade de opiniões. O problema é que o poder econômico e suas “assessorias de imprensa” estão sempre à espreita. E embora hoje dispensem a necessidade de se recorrer aos quartéis, são sempre uma ameaça à democracia. Editorial da Revista Brasil. 
Créditos: Rede Brasil Atual