terça-feira, 16 de junho de 2015

"A idolatria do mercado nos levará a um desastre''

Serge Latouche é um dos pensadores mais discutidos do nosso tempo. Muito mais do que um simples economista, como muitas vezes é definido, muito além do puro investigador dos processos sociais em curso, Latouche uniu profecia e história, anunciando ao mundo uma tese última, ou seja, que sem uma inversão de marcha todos vamos morrer suicidas, como se navegássemos sem mais bússolas e flâmulas em um navio à deriva.

A reportagem é de Francesco Comina, publicada no jornal Trentino, 11-06-2015. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

O "decrescimento" é aquele movimento contrário que poderia nos salvar, a negação da religião do desenvolvimento, que, portanto, também pode ser chamada de acrescimento, como se faz com o ateísmo, que nega uma religião.

Agora, o decrescimento tornou-se uma palavra da moda, talvez até um pouco desgastada em relação ao sentido com que você a pensou. Hoje, você fala mais de acrescimento, como de uma saída da religião da economia e do mercado.

É isso. Sim, se quisermos ser rigorosos, deveríamos falar de acrescimento, como você disse bem. Ou seja, devemos nos tornar como ateus da religião do crescimento, que é um mito dominante dentro das sociedades capitalistas. Devemos sair desse mito que sacralizou o crescimento como se fosse um deus que tudo domina e que tudo arrasta para o abismo. Um deus idolátrico. Quando eu usei o termo "decrescimento", eu pensava em sentido provocativo, justamente para abrir os olhos das pessoas acostumadas a ouvir todos os dias, como um mantra, o refrão do crescimento como única receita para o desenvolvimento da comunidade. Eu quis simplesmente expressar um conceito autoevidente, difícil refutável: no âmbito de um ecossistema finito, o princípio do crescimento infinito é uma contradição em termos.

E daí brotou uma visão de mundo que vai além da economia e que realmente funda um pensamento filosófico. Dentre outra coisas, você se remete ao filão dos pensadores proféticos, como Ivan Illich, Raimon Panikkar, Cornelius Castoriadis...

Eu poderia dizer que, retomando uma reflexão do Mahatma Gandhi, as coisas que eu tematizei e elaborei em tantos anos são tão antigas quanto as colinas, ou seja, que encontramos as intuições sobre tempo e sobre um espaço adequados para o homem nos pais da filosofia antiga e nos grandes espíritos do pensamento intercultural contemporâneo. Pensemos, por exemplo, no discurso de Panikkar sobre a tempiternidade, ou seja, sobre a consciência de que só o tempo presente é o tempo do homem e que a velocidade mata o tempo, porque nos projeta para uma dimensão desumana, razão pela qual devemos parar e desfrutar o tempo sem crescimento e ímpeto. Devemos "desarmar a razão armada", segundo a bela visão do filósofo indiano. Pensemos em Illich e no seu discurso sobre a partilha do espaço e do tempo. Pensemos em Castoriadis e no seu apelo para descolonizar o imaginário, para realizar uma sociedade frugal. O decrescimento, portanto, pode ser considerado. para todos os efeitos, um movimento de pensamento.

A Europa está vivendo uma crise epocal. Não só econômica e financeira, mas também política e, diria mais, antropológica. Ela não consegue mais dar um sentido ao existir do homem. De um lado, cresce a reação a esse sistema econômico e financeiro, mas, de outro, crescem fenômenos de populismo, de demagogia, de etnocentrismo, de fechamento...

Sim, há muitos riscos, por isso pedimos que a política volte a projetar, que as ideias voltem a circular. Essa ideologia do capitalismo é insustentável. Ela produz problemas. Divide. Devemos nos reapropriar da moeda e não deixá-la à mercê dos bancos e dos especuladores. Devemos começar a produzir aquilo de que precisamos, porque não faz sentido fazer com que caminhões de água francesa transitem rumo à Itália e de água italiana para a França. É uma loucura. O Norte do mundo consome 86% dos recursos naturais do planeta. Comecemos a pôr de lado o PIB e apliquemos o Índice da Pegada Ecológica para definir o impacto do nosso modo de vida.

A austeridade impõe receitas radicais aos países, obrigando-os a drásticas reduções de despesas. Depois, há o problema das dívidas soberanas com os mecanismos de ajuste estrutural impostos pelo FMI e pelo Banco Mundial. O que você pensa sobre isso?

Eu não vejo futuro no euro. Sei que, sobre esse assunto, há muita discussão, mas como a Europa faz para ter uma moeda comum com diversos sistemas fiscais, diversos welfare, diversas leis em matéria ecológica? A austeridade é uma alavanca nas mãos dos sacerdotes da religião do capital e do desenvolvimento. A própria Grécia está destroçada pelos programas de austeridade decididos de cima. Eu tinha aconselhado o Tsipras a sair do euro. Mas o poder da ideologia financeira condiciona os Estados assediados por uma dívida que é um câncer. O discurso sobre a dívida é ambíguo. Ela nunca vai ser paga. Todos os economistas sabem perfeitamente disso: não adianta ajudar a pagar a dívida. É preciso anular a dívida e partir de outra visão de solidariedade entre os povos. Mas o problema é que, como eles querem continuar com essa economia de cassino, é preciso fingir que ainda é crível que ela seja paga. Portanto, é preciso ajudar os países a pagarem não a dívida, mas os juros sobre a dívida. E impõem-se programas de austeridade que destroçam a vida de uma sociedade. Mas isso não pode durar ainda por muito tempo...

Por Francesco Comina
Tradução de Moisés Sbardelotto
Do IHU On Line
Créditos: Caros Amigos

Rússia responderá ao envio de armas dos EUA para a Europa, afirma oficial russo

Moscou dará uma resposta adequada caso os EUA concretizem o seu plano de instalar armas pesadas em países da Europa Oriental e do Báltico, disse hoje um funcionário do Ministério da Defesa da Rússia após relatos de que o Pentágono estaria analisando a possibilidade de enviar tanques, veículos de infantaria e outros armamentos pesados para a região.

"Caso as armas pesadas norte-americanas, incluindo tanques, sistemas de artilharia e outros equipamentos de combate, sejam instaladas em países do Leste Europeu e do Báltico, esse será o passo mais agressivo do Pentágono e da OTAN desde o fim da Guerra Fria", disse à imprensa russa o coordenador do departamento de inspetores gerais do Ministério da Defesa, Yuri Yakubov. "E só restará à Rússia organizar as suas forças e meios em locais estratégicos do Ocidente", acrescentou.

Segundo Yakubov, a reação de Moscou deve começar pelo fortalecimento da fronteira ocidental russa, com a instalação de novos tanques e unidades aéreas e de artilharia.

De acordo com o New York Times, os Estados Unidos estão considerando enviar para as bases de seus aliados europeus da OTAN tanques, veículos de combate de infantaria e várias outras armas pesadas, acompanhados de três ou cinco mil soldados, como resposta à chamada “agressão russa” na Europa Oriental. A proposta de aumento da presença dos EUA na região, conforme especula a mídia americana, se daria através da instalação de equipamentos nos territórios de Lituânia, Letônia, Estônia, Polônia, Romênia, Bulgária e possivelmente Hungria.

No entanto, lembrando que a Rússia deixou recentemente o Tratado sobre as Forças Armadas Convencionais na Europa, por considerá-lo inútil, Yuri Yakubov destacou que o país hoje não está vinculado a restrições sobre o número e tipo de armas que pode instalar em suas fronteiras, podendo responder adequadamente, com a força necessária, a qualquer tipo de ameaça.

Segundo a assessoria do Kremlin, o governo russo só irá se pronunciar sobre o assunto após uma confirmação oficial por parte das autoridades norte-americanas sobre o polêmico plano.
Créditos: Sputnik

Varejo tem queda no volume de vendas e alta na receita

O volume de vendas do comércio varejista teve queda de 0,4% em abril, na comparação com março, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A retração foi a terceira consecutiva e contribuiu para que a média do trimestre chegasse a –0,6%.

Na comparação com o mesmo período do ano passado, o volume de vendas do varejo teve queda ainda maior (–3,5%). Em 2015, o resultado acumulado é negativo em 1,5%, enquanto em 12 meses houve alta de 0,2%.

O IBGE também divulgou a receita nominal do setor, que subiu 0,3% na comparação com março e 2,5% ante abril do ano passado. Em 2015, a receita do varejo acumula alta de 4,7% e, nos últimos 12 meses, a expansão chega a 6,4%.

O comércio varejista inclui oito atividades e a pesquisa divulga, além deles, o resultado do varejo ampliado que soma a esses oito setores, as vendas de veículos e motos, partes e peças e materiais de construção. Com o acréscimo dessas duas atividades, o resultado em relação a abril de 2014 passa a apresentar quedas mais intensas. No volume de vendas, o varejo ampliado caiu 8,5% na comparação com o ano passado e, na receita nominal, perdeu 2,7%.

Já na comparação com o mês de março, o resultado do varejo ampliado em abril é bem próximo do verificado no varejo, com queda de 0,3% no volume de vendas e alta de 0,3% na receita nominal.
Créditos:Agência Brasil

segunda-feira, 15 de junho de 2015

STF debate ensino religioso em escolas públicas

O Supremo Tribunal Federal (STF) promove hoje (15) audiência pública para discutir o ensino religioso em escolas públicas. A audiência está prevista para começar às 9h e 31 entidades foram habilitadas para participar das exposições. Cada uma terá 15 minutos para expor seus argumentos.
A audiência foi convocada pelo ministro Luís Roberto Barroso, relator da Ação Direta de Inconstitucionalidade na qual a Procuradoria-Geral da República (PGR) pede que a Corte reconheça que o ensino religioso é de natureza não confessional, com a proibição de admissão de professores que atuem como “representantes de confissões religiosas”.

O ministro pretende ouvir os argumentos de todos os participantes antes de elaborar seu voto e liberar o processo para julgamento no plenário da Corte.  “A interpretação constitucional envolve certa capacidade de o juiz interpretar o sentimento social, as demandas da sociedade. Portanto, o que eu espero na audiência em que se discute o ensino religioso nas escolas públicas é saber como pensam os representantes das religiões, os representantes de órgãos de educação, intectuais e pensadores de questões teológicas”, disse Barroso na última semana.

A ação da PGR foi proposta em 2010 pela então vice-procuradora Débora Duprat. Segundo entendimento da procuradoria, o ensino religioso só pode ser oferecido se o conteúdo programático da disciplina consistir na exposição “das doutrinas, práticas, histórias e dimensão social das diferentes religiões”, sem que o professor tome partido. Para a procuradora, o ensino religioso no país aponta para a adoção do “ensino da religião católica” e de outros credos, fato que afronta o princípio constitucional da laicidade. O ensino religioso está previsto Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional e no Decreto 7.107/2010, acordo assinado entre o Brasil e o Vaticano para o ensino da matéria. Foto: A Crítica
Créditos: Agencia Brasil


Obrigatoriedade do uso de extintor ABC será prorrogada por mais 30 dias

O ministro das Cidades, Gilberto Kassab, apresentou ao Departamento Nacional de Trânsito (Denatran) pedido para adiar por mais 30 dias o início da obrigatoriedade dos extintores de incêndio veicular com carga ABC. A decisão é um esforço conjunto do ministro e do Denatran para que os técnicos possam concluir as avaliações que estão sendo realizadas.

O objetivo da troca dos extintores de incêndio é garantir maior segurança aos motoristas e passageiros. Os extintores ABC são mais modernos e atendem todas as classes de incêndio. O pó especial é capaz de combater princípios de incêndios em materiais sólidos, líquidos inflamáveis e equipamentos energizados.
O último prazo estabelecido pela resolução n° 521/2015 para os motoristas se adequarem à norma era 1º de julho de 2015. O Conselho Nacional de Trânsito (Contran) publicará uma nova resolução que prorrogará o último prazo. Foto: Pioneiro. Fonte: Ministério das Cidades
Créditos: Portal Brasil

Doenças cardíacas aumentam no inverno

O inverno está associado ao aumento dos casos de doenças cardíacas e da mortalidade cardiovascular, alerta o diretor da Sociedade de Cardiologia do Estado do Rio de Janeiro (Socerj), Claudio Tinoco: estudos mostram que a cada queda de dez graus de temperatura, há aumento da incidência de complicações cardíacas em torno de 30% a 40%.

Alguns motivos contribuem para isso. O primeiro é o aumento das infecções respiratórias que ocorrem na época do inverno. Gripes e resfriados provocam uma sobrecarga no sistema circulatório. “O coração tem que trabalhar mais, bombear mais sangue para atender às necessidades. Além disso, a infecção agride os vasos na sua superfície de recobrimento mais interno, chamado endotélio, e este fica mais vulnerável a processos de trombose, seja o acidente vascular cerebral (AVC), popularmente conhecido como derrame, seja o infarto do miocárdio ou ataque cardíaco”, diz o médico.

Tinoco adverte que as pessoas com problemas cardíacos, como a dilatação das câmaras do coração, que leva a uma diminuição do funcionamento do órgão, também têm maior taxa de internações no inverno, devido a essas infecções respiratórias e, em consequência, maior mortalidade. O frio leva ainda a um fenômeno chamado vasoconstrição. “Os vasos ficam contraídos para impedir a perda do calor.
Por isso, é comum as mãos e a ponta do nariz das pessoas ficarem geladas no período do inverno, porque os vasos contraem, para manter o sangue circulando na parte central do corpo e que não haja perda de calor”. Essa vasoconstrição leva também a uma sobrecarga do coração, que passa a trabalhar com mais força, para atender às necessidades cardíacas.

Outro problema observado no inverno é que as pessoas tendem fazer uma alimentação mais pesada, com excedente de álcool. O diretor da Socerj assegurou que a soma de todos esses fatores acaba aumentando o risco das arritmias, do infarto e outras complicações cardíacas. Para evitar esses problemas, disse que uma das coisas mais importantes é que as pessoas sigam as orientações do seu médico clínico ou cardiologista e façam os exames preventivos.

O controle rigoroso da pressão arterial, evitar o tabagismo, fazer atividades físicas, controlar a glicose, o peso e o colesterol são a base de uma saúde adequada. Esses cuidados se somam a outros na época do inverno. “Como o frio aumenta as complicações cardíacas, a gente recomenda que as pessoas evitem se expor desnecessariamente a temperaturas muito baixas, sem proteção, em atividades ao ar livre, especialmente se forem pessoas que têm problemas cardíacos.


Outra recomendação direcionada à população mais idosa, acima de 70 anos, é a vacinação contra a gripe no período que antecede o inverno. Tinoco alertou que a campanha de vacinação do governo teve uma adesão baixa da população, mas protege não só das infecções respiratórias, como das complicações, das quais a mais temida é a pneumonia. “Também diminuem as complicações cardiovasculares quando as pessoas fazem vacinações”.
O presidente da Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular (SBACV), Pedro Pablo Komlós, alertou que também o sistema vascular pode ser afetado na época do inverno. No tocante às veias ou varizes, que têm a característica de se dilatarem no verão, gerando inchaço das pernas, sensação de peso e cansaço, os sintomas tendem a melhorar no inverno. Já no que diz respeito às artérias, que levam o sangue limpo, cheio de oxigênio, do coração para as extremidades do corpo, o frio pode causar um estreitamento dos vasos, principalmente quando há deficiências. “Quando o sistema é normal, as extremidades não sentem tanto”.
Pedro Komlós disse que há algumas doenças funcionais que dependem de maior dilatação ou constrição dos vasos. Entre elas, destacou a Doença de Raynaud, que se caracteriza por palidez cadavérica de extremidades, que ocorre em especial em pessoas com grande sensibilidade ao frio. Essa palidez é passageira e se manifesta mais no Rio Grande do Sul do que em estados de temperatura temperada, como o Rio de Janeiro. “Os problemas arteriais é que têm os sintomas agravados com o frio”. Não há, porém, risco direto de morte para esses pacientes, descartou.
A recomendação da SBACV é que os pacientes portadores de doenças arteriais, principalmente no início do inverno, mantenham as extremidades aquecidas, evitem contraste brusco de temperaturas e traumatismos maiores nas extremidades porque, com a diminuição do fluxo arterial, isso pode ter uma evolução mais agressiva. “Mas, fundamentalmente, que se mantenham em controle com um especialista”, concluiu. (Alana Gandra/Agencia Brasil)
Créditos: WSCOM

Subsidiárias admitem perda de R$ 280 mi com corrupção

 A Transpetro e a BR Distribuidora, principais subsidiárias da Petrobras, admitiram em seus balanços do ano passado, 3% de superfaturamento em contratos com 27 empresas. O valor representa perdas de R$ 279,6 milhões com casos de corrupção na Lava Jato. A Petrobras já reconhecera baixa de R$ 6,2 bilhões referente ao esquema de desvios.
De acordo com os dados divulgados pelas subsidiárias, R$ 218,9 milhões (85%) se referem à área de transporte marítimo, que envolve encomendas a estaleiros, cujas sócias são investigadas na operação.
Em fevereiro deste ano, o então presidente da Transpetro, Sérgio Machado, entregou sua carta de demissão. Ele foi citado pelo ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa como sendo um dos beneficiários do esquema de desvio de recursos investigado pela Operação Lava Jato, da Polícia Federal.
Ele havia pedido licença do cargo no início de novembro do ano passado após pressão da auditoria da Petrobras PwC. Em janeiro, pediu a prorrogação da licença. O dirigente foi indicado pelo presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). Leia aqui reportagem de Lucas Vettorazzo sobre o assunto.
Créditos: Brasil 247