sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Estado de São Paulo fechou 4.300 salas desde 2015

O Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp) apurou que até o momento 913 salas de aula da rede estadual foram fechadas neste início de ano letivo, em 39 regiões de São Paulo. A entidade também tem recebido denúncias de fechamento de turnos e recusa de matrículas. Ainda faltam informações de outras 54 regiões.
“São quase mil salas de aula fechadas, o que vai implicar aumento do número de alunos em salas, com professores podendo ficar adidos”, disse a presidenta da Apeoesp, Maria Izabel Azevedo Noronha, a Bebel, em entrevista àRádio Brasil Atual. “Vamos continuar apurando e vamos entrar com um ofício junto ao Ministério Público mostrando que o que foi pactuado não é cumprido.”
A entidade defende que se trata de uma “reorganização escolar disfarçada”, já que o projeto oficial do governo de Geraldo Alckmin – que pretendia fechar pelo menos 94 escolas e transferir 311 mil estudantes – foi suspenso pela Justiça duas vezes, a última em janeiro.
Como resposta ao projeto de reorganização, que não foi debatido com a comunidade escolar, os alunos ocuparam escolas da rede estadual. No auge do movimento, em 2 de dezembro, os estudantes chegaram a ocupar 213 unidades escolares. Após 25 dias de intensa mobilização, o governador veio a público suspender o projeto. Em seguida, o então secretário estadual da Educação, Herman Voorwald, pediu demissão.
Em 9 de janeiro, a Secretaria Estadual de Educação publicou uma resolução em que permite o aumento do número de alunos por sala de aula, chegando até 44 alunos no ensino médio. Para a Apeoesp, esse número deveria chegar no máximo a 25.
A Apeoesp ressalta, em nota, que em um levantamento parcial de 2015 apurou ter havido fechamento de 3.390 classes. Esse total somado ao número de salas fechadas somente neste ano “dá a dimensão do enxugamento que o governo vem fazendo, provocando, ao mesmo tempo, a superlotação das salas de aulas, como poderá ser constatado na semana que vem, com o início do ano letivo”, diz o texto.
A Secretaria da Educação defende que a demanda na rede estadual caiu nos últimos anos e que das 6 milhões de vagas disponíveis, apenas 3,8 milhões estão ocupadas. O órgão não confirmou o fechamento de salas de aula e disse que as matrículas são feitas pelas escolas, segundo a demanda.
Neste mês, A Apeoesp reuniu-se pela primeira vez com o novo secretário, José Renato Nalini, quando apresentou as demandas da categoria. “Não vimos nenhuma perspectiva de reajuste. Ele disse que temos que entender porque estamos em crise. Ora, por que então quando o país crescia 7,5% também não foi repassado para os nossos salários? Não vamos sustentar mais um ano sem reajuste”, disse Bebel.
Créditos: RBA

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