Mesmo assim, Boito identifica um outro momento na organização sindical. "Temos um crescente número de greves e ganhos reais nos salários, uma situação que contrasta muito com a vivida na década de 90, quando acumulava perdas e estava em refluxo grande. Hoje o cenário está renovado”, afirma.
Segundo alguns dos palestrantes, entre os desafios para renovar e fortalecer o movimento sindical dos profissionais liberais com formação universitária – como médicos, farmacêuticos, engenheiros, nutricionistas, dentistas, entre outros – é fundamental integrar à classe média ao sindicalismo operário. Para Boito, com a organização das categorias por profissão, e a resistência de integração ao sindicalismo operário, a força da organização dos profissionais liberais fica reduzida. "A classe média precisa estar numa central junto com o sindicalismo operário, tem de fazer mobilização junto, tem de ultrapassar o corporativismo profissional, porque presos a ele a nossa capacidade de pressão é pequena. O sindicalismo de classe média só tem a ganhar se integrando a esse movimento sindical. É necessário vencer essa resistência, porque só temos a ganhar com isso."
"Somos um eixo de conhecimento decisivo para o país atual e para o futuro, mas temos um desenvolvimento ainda muito limitado. A CNTU identifica essa situação e quer colocar para as camadas médias que o futuro delas está totalmente ligado com os interesses maiores do país. Precisamos descer das arquibancadas e entrar em campo", afirma o diretor da entidade Allen Habert. Criada em 2006, a confederação teve registro sindical publicado dois anos depois. Informa representar engenheiros, farmacêuticos, médicos e odontologistas (por meio de federações) e economistas e nutricionistas, por meio de sindicatos).
De acordo com o diretor-técnico do Dieese, Clemente Ganz Lúcio, a sociedade está diante de um novo processo, no qual o sindicalismo também é um caminho para promover no país transformações mais robustas. “Temos condições de enfrentar grandes temas, porque devido ao protagonismo das centrais hoje o movimento sindical está além do espaço das negociações das campanhas salariais, a exemplo de quando os trabalhadores barraram o processo da terceirização."
Segundo Clemente, é necessário olhar para os problemas da organização sindical, seja a fragmentação ou dificuldades de articulação, e fortalecer as entidades para negociações mais complexas, como a luta por igualdade de oportunidade e igualdade de condições, melhores empregos e salários e enfrentamento da alta rotatividade e da informalidade.
“Esse é o ponto de partida. Sabemos dos vários problemas que temos na vida sindical, mas precisamos olhar para nossa organização sindical e fazer as mudanças necessárias para fortalecê-la. O nosso grande desafio é enfrentar o problema da desigualdade com uma macroagenda sindical, e há necessidade de somar ações nesse sentido. Temos de pensar na nossa habilidade política para tornar nossa organização como elemento da nossa estratégia", disse Clemente.
“Hoje, a classe média que se aproxima do sindicalismo enxerga a contribuição que pode dar no processo político brasileiro, na distribuição de renda, na luta pelas redução das desigualdades. Os sindicatos devem colocar essas questões e saber que tipo de luta ele deve assumir para contribuir nessa direção progressista da sociedade brasileira", acrescenta o economista.
"Nossa capacidade se mede pela nossa unidade, pelo conjunto, pela capacidade da nossa luta. Temos de fortalecer a ideia da linha unitária e a grande tarefa da CNTU será fortalecer as federações como instância intermediaria nesse sentido", diz o consultor sindical João Guilherme Vargas Netto. Leia mais no portal RBA.
Créditos: Rede Brasil Atual
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